Preciso reconhecer: eu não gosto de ler. Textos longos, livros grossos ou até carta de amor (neste último, um resumo adianta o processo)… Muita lengalenga, mimimi e variações do mesmo tema.

Gosto de manual. Ler manual tem lá seu charme. Fora da curva, admito. Para saborear a leitura, tem que ter ingrediente. Por isso, também gosto de ler receitas. As mais cheias de embala, desembala, descansa, bate, reduz, gela, desgela, cozinha, frita, empana, assa, doura; e gosto das histórias de chefs. Das profissões que antecederam à de chef de cozinha, muita gente tem história pra contar. O advogado que virou chef (meu caso e de tantos outros), o executivo que virou chef, ainda que executivo também… o médico que virou chef (este vai ter uma habilidade enorme com facas) e como surgiu a paixão pela cozinha. Muitos nasceram praticamente dentro de uma cozinha. A avó fazia panetone, matava o galo no quintal, cozinhava de um jeito e assava de outro, e assim o chef (re)nascia assistindo às aulas ao vivo do berço…

Há outras leituras interessantes, como, por exemplo, como nasceu a azeitona da empada ou por que o strogonoff se chama strogonoff. Bendito seja o Conde Strogonoff!! segundo algumas literaturas no século XIX, havia uma família russa de sobrenome Stroganov. E um dos chefs fez a carne picada no creme de leite, dando origem ao nome do prato, o nome da família. A Larousse Gastronomique atribui o nome ao verbo “strogat” que significa cortar em pedaços. Colocar os champignons, a mostarda e a páprica foi ideia do Chef Francês Thierry Costet, que viveu na Rússia neste período. O strogonoff já foi prato sofisticado do Maxim’s – restaurante elegante de Paris, próximo da Place de La Concorde. Mas o strogonoff se popularizou e virou “arroz com feijão”… outras literaturas apontam como um prato derivado do Goulash, de origem húngara, feito com carne de vaca cortada em cubos.

Então, compartilho com vocês um pouco da minha biblioteca e sugestões de leitura para quem curte gastronomia, mas não quer ler, necessariamente, receitas.

– Nem só de caviar vive o homem: J.M.Simmel conta a história de um cara que se torna espião e, através de suas receitas, cozinha para diversos aliados e inimigos, e resolve grandes “abacaxis” através de seu tempero.

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– Alho e Safiras: livro escrito pela crítica gastronômica Ruth Reichl, que atuou primorosamente para o NY Times, editora chef do Gourmet Magazine. Ela conta os bastidores de sua vida como crítica. Livro levíssimo, vale a diversão.

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– Carême, o cozinheiro dos Reis: a vida de Marie-AntonineCarême, chef de cozinha francês conhecido pela alta gastronomia francesa. Ele pintou o sete, o oito e o nove na gastronomia, vale a pena ler a história dele, se você quiser entender por que a gastronomia é o que é hoje. Acredito que ele tenha feito parte disso…

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– O que Einstein disse a seu cozinheiro: uma compilação inteligente de informações sobre os ingredientes, do porquê as coisas funcionam desta ou daquela forma.

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– Conselhos a um jovem chef (Daniel Boulud) = o nome já diz tudo! Sem spoiler!

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– Quem colocou o filé no Wellington?: histórias como a do strogonoff, entre outras curiosidades, e de como nasceu o nome do seu prato preferido é o que você vai ler neste engraçado livro de James Winter. E vai pensar: “Puxa, jamais imaginei que esse nome tivesse vindo daí…”

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– As receitas amorosas de uma feiticeira (Brigitte Boulard-Cordeau): bom, esse livro pink, com o título Diário Mágico, não é meu! Não é isso o que vocês estão pensando!!! Posso explicar: é da minha mulher! Ela entrou “numas” de querer aprender sobre gastronomia e comprou um livro de poção mágica. Mas algumas receitas inusitadas para acalmar, trazer alegria ao lar, avivar o amor, curar gastrite etc. são bem interessantes pela composição dos ingredientes.

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Os banquetes do Imperador: este livro, grande, gordo e pesado, é uma obra clássica, que reúne os principais banquetes da história! Uma joia da gastronomia histórica.

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Então, é isso moçada!

Alguns livros da minha biblioteca, nem todos com receita, mas com boa diversão!

Hasta la vista!

Uma boa diversão! E, por que não, inspiração?

 

Léo Prieto

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