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Hoje me deu nostalgia do meu “tio Burle”, e fui rever algo dele para escrever, seu Atelier no Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba é lindo. Ele chamava de seu refúgio, pena que  o arquiteto e paisagista não pode usufruir muito, pois morreu logo em seguida, assim que eles concluíram a obra do atelier, lá ele produzia suas pinturas sem ser incomodado. Lugar de muita luz natural com dois quartos e repletos de livros de Arte.

Burle iria fazer 109 anos, seu talento acompanhou minha vida na Fundação Parque e Jardins, onde fui diretora de Planejamento e tive o prazer de conviver com a mapoteca repleta de desenhos dele para o Aterro do Flamengo, umas das obras mais lindas deste talentoso homem. Os desenhos eram feitos em papel vegetal com a vegetação colorida e tudo feito à mão e a nanquim, eram plantas e plantas de todos os cantinhos do Aterro, obra de um valor inestimável.

No Sitio, foram recuperados 1,6 mil desenhos e 12 telas de Burle Marx. obra do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além disso, o espaço conta com outras seis telas em acrílico, uma tapeçaria de cinco metros de altura e um painel de azulejos — todos criados pelo paisagista, especialmente para o espaço.

Sua ideia era que com a construção do ateliê ele pudesse passar vários dias em paz, produzindo sua arte, embora o local também seja adequado para festas e cursos. Mas teve uma embolia e veio a falecer, sua obra é reconhecida no mundo todo.

Roberto deu uma entrevista para Ana Rosa de Oliveira que defendia uma tese de doutorado, ele disse o seguinte : “Inicialmente meus jardins tiveram um enfoque ecológico. Mas esse enfoque é bastante relativo. Eu fiz, por exemplo, o jardim do MEC com umas manchas bastante abstratas, pois nessa época eu já conhecia Arte. De modo que não pode-se dizer que meus jardins, mesmo nos seus inícios tivessem uma preocupação essencialmente ecológica. Eu detesto essa idéia de que o paisagista só deva conhecer plantas. Ele tem que saber o que é um Piero de la Francesca, mas também compreender o que é um Miró, um Michelangelo, um Picasso, um Braque, um Léger, um Karl Hofer, um Renoir, um Delaunay.

E continuou: Digamos que isto sim, o que eu acho muito importante na vida é não se circunscrever a uma coisa só. Mas eu também gosto de poesia, de música, como de uma sinfonia de Bella Bartok. Eu quero dizer que a vida é a gente saber observar, absorver e, possivelmente uma coisa que talvez tenha me ajudado muito é que eu nunca perdi a curiosidade pelas coisas. Com a idade que eu tenho sempre tem uma coisa nova, é uma cor, uma coisa que me induz a ver.

O grande artista inspirou muitos profissionais, em diversas áreas, inclusive a mim. Tive a oportunidade de homenageá-lo em um dos meus trabalhos, na mostra Casa Cor 2009. A artista plástica Roberta Dacosta, a meu pedido, inspirou-se no nosso Tio Burle e criou essa tela exclusiva para o meu espaço. Uma lembrança que eu guardo no coração.

 

*Imagens retiradas da internet e acervo pessoal.

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